20180506FestaVitoriaPazNum dos mais quentes domingos desta Primavera, com a participação de mais pessoas do que as várias centenas que tinham ali estado em 2017, teve lugar no dia 6 de Maio, na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, a 2.ª Festa da Vitória e da Paz, uma iniciativa da Associação Iúri Gagárin e da Associação Chance+. A 2.ª Festa da Vitória e da Paz prolongou-se na estreia, dia 10, do filme russo «Sobibor», no Cinema São Jorge.

 

Tal como na primeira edição, a Festa contou com o importante suporte institucional e logístico da Câmara Municipal de Lisboa e o apoio das juntas de freguesia do Areeiro e da Penha de França, da Embaixada da Rússia e da agência Rossotrudnitchestvo. Na organização e na realização da Festa estiveram envolvidos activistas voluntários das nossas associações e amigos. 

Um dia na Alameda

Para celebrar o 73.º aniversário do Dia da Vitória da União Soviética e demais aliados contra o nazi-fascismo (9 de Maio), no recinto junto à Fonte Luminosa, demarcado por tendas, mesas e cadeiras, frente a um espaçoso palco, desde antes das 11 horas começaram a juntar-se russos, ucranianos, casaques, moldavos, georgianos, bielorussos e originários de outros países que constituíam a URSS, tal como muitos portugueses - alguns identificados com bandeiras e outros símbolos nacionais, muitos com fitas de São Jorge e bivaques do Exército Vermelho, todos distinguindo-se num arco-íris de línguas e sotaques.
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O arranque da festa foi dado pela banda da Academia Sons e Harmonia, do Infantado (Loures), dirigida pelo maestro Luciano Franco. Recebida com muitos aplausos, a filarmónica, com «A Life On the Ocean Wave», de Henry Russell, alinhavou o percurso em torno do relvado, por onde pouco depois iria passar o desfile do «Regimento Imortal».

 

O movimento do «Regimento Imortal»

Iniciado em Tomsk, na Sibéria, em 2012, o movimento do «Regimento Imortal» tem antecessores que remontam às primeiras comemorações do Dia da Vitória na URSS. Em 2018, iniciativas deste género tiveram lugar em mais de um milhar de cidades e vilas de 80 países.

Os diversos promotores do «Regimento Imortal» concordam que este é e deve permanecer como uma iniciativa popular, cívica, não comercial, não política, não estatal, com o principal objectivo de conservar em cada família a memória dos soldados da Grande Guerra Pátria - como se assinalou no acto que teve lugar na Alameda.

Enquanto se formava a coluna do «regimento», do palco, em russo e em português, explicou-se que «viemos aqui para desfilar com os retratos dos nossos bisavós, avós, pais, para que cada um deles marche connosco num único regimento». «Foram eles que, nos anos da guerra, defenderam a Pátria. Foram eles que forjaram nas fábricas as armas da vitória, que lavraram os campos e as searas. Agora devem desfilar na parada dos vencedores!»

À cabeça, com a faixa bilingue a identificar o «Regimento Imortal» de Lisboa, perfilou-se a «Bandeira da Vitória», em fundo vermelho e com inscrições a branco, similar à que foi hasteada na entrada principal do Reichstag, a 22 de Abril de 1945, por militares soviéticos da Divisão 150, durante a batalha pela tomada do edifício-sede do regime nazi.

Em excepção à regra, permitida e saudada pelos participantes, na frente desfilou este ano a cantora Iulia Samoilova, acompanhada por elementos da representação russa no festival da Eurovisão, que por esses dias decorria em Lisboa.

Completado o percurso do «Regimento Imortal», o acto de homenagem aos combatentes vitoriosos de 1945 prosseguiu, com breves intervenções de saudação. Neste período usou da palavra Levy Baptista, presidente do Conselho Directivo da Associação Iúri Gagárin, que realçou o significado da data e da sua comemoração.

 

Confraternização e integração

Durante a tarde decorreu um espectáculo de música, dança, teatro e poesia. Actuaram vários grupos, muitos deles infantis ou com participação de crianças, e artistas de diferentes comunidades imigradas. Estiveram representados o Centro Cultural Moldavo de Cascais e as associações Edinstvo (de Setúbal), Espaço Vivo (Coimbra), Capela (Portimão) e Mir (Lisboa).

No palco da Festa da Vitória e da Paz actuaram também o Alborca (grupo de música popular portuguesa da Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense) e o coral alentejano da Liga dos Amigos da Mina de S. Domingos.

A iniciativa constituiu um marcante momento de confraternização e de estímulo a um maior entrelaçamento entre comunidades imigrantes e destas com a população portuguesa. Assume ainda maior relevo, por festejar a conquista da liberdade e da paz na Europa e no Mundo, após a mais sangrenta guerra que a humanidade conheceu. Para além do mútuo conhecimento da história e da cultura dos vários povos, esteve presente a determinação de continuar a fazer o que for possível para preservar a memória e evitar que semelhante catástrofe algum dia se repita.

 

20180506FestaVitoriaPaz 2Ainda sobre a 2.ª Festa da Vitória e da Paz

 

Crónica «Dia Sem Guerra», de Alla Bogolepova

- Álbuns fotográficos online
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Estreia de «Sobibor»

O programa da 2.ª Festa da Vitória e da Paz prolongou-se para dia 10 de Maio. Nessa noite, na sala «Manoel de Oliveira» do Cinema São Jorge, mais de 700 pessoas assistiram à estreia do filme «Sobibor».
Por iniciativa da Fundação Alexandre Petcherski e com realização de Konstanti Khabenski, o filme relata um episódio ocorrido faz agora 75 anos: em Sobibor, na Polónia, ocorreu aquela que é considerada a única revolta bem sucedida de um campo nazi de extermínio.

- Mais sobre o filme «Sobibor»